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terça-feira, 15 de março de 2011

Coleira para crianças. Matéria da Folha de SP.

O assunto "coleira para crianças" tem sido bastante discutido
na mídia, nos últimos meses.
A partir do post que fiz sobre o tema,
fui entrevistada para a matéria de hoje, do Caderno Equilíbrio,
do jornal Folha de São Paulo:


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Coleira para crianças inspira olhares críticos e reflexões

MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO

Parece coleira de cachorro, mas é uma mochilinha com alça, que prende a criança à mãe. A cena, que começa a ficar mais comum em capitais do país, gera olhares tortos e também curiosidade.

A mochila-coleira é usada há décadas nos EUA, na Europa e no Japão. Aqui, ainda é novidade, embora seja vendida em grandes lojas para bebês há cerca de dois anos.

A culinarista Marisa Abeid, 32, de Sorocaba, admite que, à primeira vista, o acessório parece "estranho".

Mas conta que usou um modelo de braço (ligando o pulso da criança ao do adulto) no filho Pedro, de três anos, quando ele tinha um ano e meio. "Num piscar de olhos, ele sumia", diz a mãe, que se sentia mais segura assim. Ela pretende usar o mesmo artifício com o mais novo, João, de sete meses.

O instrumento só causa polêmica por falta de hábito, para a pediatra Maria Aurora Brandão, 63, do Hospital São Luiz. Ela "encoleirou" os filhos 40 anos atrás, em uma viagem a Portugal. "É uma questão de segurança."

A arquiteta Larissa Lieders, 32, comprou a mochila para sair sossegada com a filha Olivia, de quatro anos. "Ela corre pela rua, em supermercados e lojas. Se estou carregando sacolas, tenho que largar tudo e ir atrás."

Às vezes, segundo a mãe, Olivia fica irritada com a coleira. Na semana passada, aprendeu a se livrar dela.

A publicitária Lica Ribeiro, 30, ouviu coisas como "Parece cachorro" e "Só falta dar ossinho", ao circular com o filho Pedro, de três anos e meio, "acorrentado" a ela. "A primeira reação das pessoas é criticar. Mas criança não quer pegar na mão, quer explorar as coisas. A mochila é segurança para a gente e liberdade para eles."

De acordo com Ricardo Halpern, presidente do departamento de pediatria do comportamento e desenvolvimento da Sociedade Brasileira de Pediatria, o acessório só vale para lugares com aglomeração. "Não causa nenhum prejuízo à criança se usado de forma adequada."

Já a psicóloga e colunista da Folha Rosely Sayão diz que a guia é uma comodidade para pais que querem olhar outras coisas que não os filhos. "Querem ter filhos, mas agir como se não tivessem. Alguns podem perceber, depois, que passou o tempo de dar as mãos aos filhos, e não aproveitaram."

Roseli Caldas, professora de psicologia da Universidade Mackenzie, concorda. "Para sermos práticos, deixamos de lado a afetividade."

Segundo Caldas, a criança precisa mais do toque da mãe do que de fita que a prenda.

"Esse limite que depende de uma "coleira" não prepara para o desenvolvimento. A voz de comando da mãe tem que valer. Se a criança não construiu essa noção de autoridade, como será no futuro? Que fita a mãe usará na adolescência?", pergunta.



"Fui 'encoleirada' quando pequena e sobrevivi":

LUISA ALCANTARA E SILVA
DE SÃO PAULO

Orlando, 1988. Eu com seis anos, dois irmãos mais velhos e meus pais.

Em um dos parques, abracei a perna de um homem. Olhei para cima: "Hum, não é meu pai". Olhei para o lado: "Cadê meu pai?". E então: "Perdi meu pai". Mas, não, minha família estava por perto.

Para que eu não me perdesse mesmo, minha mãe comprou a tal coleira, que ligava a minha calça à dela.

Uma tia que viajava com a gente achou aquilo "absurdo", contou a minha mãe. Mas ela disse que não estava nem aí, porque ficava mais tranquila.

Não me lembro de me sentir mal. O que é uma coleira para uma criança enlouquecida em Orlando?

Hoje, mesmo não sendo mãe, entendo as que se valem do acessório. Se reduz a preocupação, por que não?


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Essas crianças...

Desde que tive meu filho Pedro penso em escrever. Não apenas algo para as mães mas compartilhar com todos as alegrias, sustos, tristezas, emoções e até os momentos de raiva que todos os pais passam com seus filhos.
Cada filho é único, não dá para generalizar. Mas existem coisas que toda criança faz, sem exceções...quem tem filho vai se identificar, quem pensa em ter filhos...vai se surpreender!

Além disso, quem é de Sorocaba e região poderá conferir, aqui, dicas de passeios, programação cultural e outras atividades voltadas para a família, conferidas e recomendadas por mim.